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Artigos

08-07-2009

Aprender a se Amar: Uma Construção desde a Infância

Se amar é ter auto-estima. Auto-estima é o que uma pessoa sente em relação a si mesma, o quanto gosta de sua própria pessoa.
Quando se ama, não se perde energia procurando impressionar ou provar algo aos outros, conhece-se o próprio valor. A idéia que uma criança faz de si mesma influencia a escolha dos amigos, a maneira pela qual se entende com os outros e a sua produtividade. Afeta sua criatividade, espontaneidade, estabilidade. O amor é a mola propulsora para o êxito ou fracasso.

O ser humano possui duas necessidades básicas: 1ª - “Eu posso ser amado, sou importante e tenho valor porque existo” e 2ª - “Eu tenho valor, posso dirigir a mim mesmo e ao meu ambiente, com competência. Sei que tenho algo a oferecer aos outros”.
Muito antes da criança compreender as palavras, ela registra impressões sobre si mesma e o mundo com base na maneira como é tratada. Ex.: se colocada com carinho no colo ou como um “saco de batatas”; se é envolvida com braços aconchegantes ou apenas um apoio imóvel e desinteressado. O toque, os movimentos corporais, o tônus e a expressão facial daqueles que a cercam trocam um fluxo constante de energia e mensagens.
As crianças pequenas são particularmente sensíveis aos estados emocionais da mãe. Mensagens isoladas, pouco freqüentes, não causam danos permanentes, mas o número total de mensagens de amor ou de desinteresse juntamente com sua intensidade, influenciam significativamente a visão positiva do eu.

Palavras e o toque têm poder. Eles podem destruir ou fortalecer o auto-respeito. A criança precisa vivenciar situações que lhe provem o valor que tem e que é digna de ser amada. Não basta DIZER à criança que ela é especial, o vivenciar fala mais alto que as palavras. Para a criança pequena, principalmente, o pai e a mãe são todo-poderosos. Portanto, a forma com que é tratada é a forma que sente que merece ser tratada. “O que eles dizem a meu respeito é o que eu sou”. Nenhuma criança se percebe diretamente, ela só consegue ver a si própria por meio do reflexo que produz nos outros.

Quanto pior o comportamento da criança, normalmente mais ela é censurada, punida e rejeitada. Conseqüentemente, mais profunda se torna sua convicção de que é “má”, embora uma auto-estima precária não seja a única causa do mau comportamento. Indivíduos com boa auto-estima são mais preparados emocionalmente na resolução de conflitos e nas desigualdades que existem no nosso mundo. Seus núcleos saudáveis os liberam para serem inovadores, construtores e não destruidores hostis.
Auto-conceitos são aprendidos, vivenciados, não herdados. Para se amar e se sentir amada, a criança deve conhecer a aceitação daqueles que a cercam, pois para sentir-se competente e digna, deve ter êxito em seus esforços. Quanto mais o auto-conceito corresponde às suas habilidades reais, seu potencial mais provável é o seu sucesso, e são maiores as oportunidades de se ver como uma pessoa “certa no lugar certo”.

Formamos uma rede de expectativas sobre os filhos através de nossas experiências, necessidades pessoais e valores culturais. Saber O QUE e POR QUE esperamos certas coisas de nossos filhos é o primeiro passo para “polirmos nossos espelhos” que refletirão não ideais, mas o desabrochar do potencial da criança e de seu próprio reconhecimento.

Dicas aos pais

- Veja se suas expectativas em relação aos seus filhos não estão procurando satisfazer seus próprios desejos que um dia foram frustrados.
- Quanto maior a satisfação no casamento, na vida profissional, lazer, vida social, menor será a inclinação de pedir aos filhos que preencham lacunas, “vazios” da sua vida.
- Não se esqueça que as crianças raramente questionam nossas expectativas, elas questionam a si próprias, a sua assertividade e adequação pessoal.
- Acredite que seu filho tem capacidade de viver e aprender, talvez com os erros, por que não?
- A aprovação CONDICIONAL destrói o auto-respeito.
- Se refletirmos a estima da criança negativamente, destruiremos com ela, mas se a refletirmos de forma estimulante, podemos fazê-la reaparecer.

Karin Bruckheimer  Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica e Psicopedagogia
karin.bruck@gmail.com